Bilhete apreendido ontem na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau 2 (a 620 km de São Paulo) aponta quem seria o responsável direto pelos assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e seu comparsa Fabiano Alves de Souza, o Paca. Os dois chefes do PCC foram encontrados mortos na última sexta-feira, em uma reserva indígena em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. Gegê e Paca moravam em um apartamento de luxo no Ceará desde setembro do ano passado.
A anotação, manuscrita em folha de caderno e recolhida pela Polícia Penitenciária de São Paulo, registra que “Fuminho mandou matar os dois, GG e o Paka”. O POVO Online apurou que “Fuminho” é Gilberto Aparecido dos Santos, um dos integrantes da cúpula do PCC. Ele é dono de uma fazenda de produção de cocaína na província de Chapare, região ao norte de Cochabamba, na Bolívia, uma área utilizada para plantação de coca.
"Ontem, fomos chamados em umas ideias, aonde nosso irmão Cabelo Duro deixou nois ciente que o Fuminho mandou matar o GG e o Paka. Inclusive, o irmão Cabelo Duro e mais alguns irmãos são prova que os irmãos estavam roubando (sic)...", diz o bilhete.
De acordo com fonte que acompanha as investigações, Fuminho é hoje “um mega-traficante, sócio e braço direito de Marcola”, com atuação também no Paraguai, país onde permanece. Segundo investigadores, Gegê e Paca também teriam negócios naquela localidade, o que reforça tese de que os dois traficantes foram mortos por disputa interna dentro da própria facção.
Na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, conhecida como P2, está preso Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, maior liderança do PCC no País. Além dele, os principais integrantes da “Solução Final”, cúpula da facção, também estão encarcerados nessa unidade. Procurador de Justiça do Ministério Público em São Paulo e autor do livro Laços de sangue: a história secreta do PCC, Márcio Sérgio Christino afirma que Fuminho é “ligado diretamente ao Marcola”.
Conforme trecho de documento sigiloso obtido pelo O POVO Online, Fuminho é um conhecido agente da facção com expertise em aeronaves. Ainda em 2014, por exemplo, as polícias Militar e Civil de São Paulo interceptaram um plano de resgate de Marcola da P2 que incluía pelo menos dois aviões e um helicóptero caracterizados como se pertencessem à PM. Nesse estratagema, conforme o relatório, o papel de Fuminho seria “provavelmente transportar os resgatados de uma cidade de apoio até uma fazenda no Paraguai”.
Comentários
Postar um comentário